Sentimentos. Expressões.
As intenções das palavras colorindo os olhares dos atores, moldando o barro dos seus rostos e corpos.
O poder e o desejo.
Teatro.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
sábado, 3 de janeiro de 2015
Dizer a Imagem 6: Fusão
Dois
seres enlaçados, um confronto de opostos. A força amparada na fraqueza, a debilidade
a espraiar-se na robustez.
Um
rosto crispado, o outro elanguescido, um desespero esmagador no ricto dele, ela
gritando fuga por trás da cortina dos cabelos abandonados.
Numa
súplica de afogamento, as frágeis mãos arrepanham o abraço predador, atraente
como tentáculos. Há uma cumplicidade de pele, um diálogo de emoções fortes, uma
simbiose de vontades em choque, uma fusão de coragens.
Corpos
em estado de alerta, um combate de energias somadas, a força toda visível nos membros,
concentrada na mente. Sensível na carne, partilhada no espírito.
Poder
e desejo.
Teatro.
(Fotografia de Jorge Figueiredo, no ensaio de O Poder e o Desejo)
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Feliz Portugal em 2015!
Neste final de ano, partilho duas magníficas canções daquele que considero o maior representante da verdadeira música portuguesa.
Que o modo genuíno e profundo como Fausto nos diz em toda a nossa grandeza e fragilidade nos inspire a sermos mais portugueses e mais alegres neste país cada vez mais triste e cada vez menos nosso.
Feliz Ano Novo! Feliz Portugal!
Que o modo genuíno e profundo como Fausto nos diz em toda a nossa grandeza e fragilidade nos inspire a sermos mais portugueses e mais alegres neste país cada vez mais triste e cada vez menos nosso.
Feliz Ano Novo! Feliz Portugal!
domingo, 28 de dezembro de 2014
Texto trigésimo sétimo
Teatro.
Observar e observar-se no conflito diário das
vontades entrechocadas, atravessar o tiroteio das paixões para que nunca se
está preparado. Apesar dos ensaios. E sofrer com isso.
Teatro.
Ter a coragem de deixar-se observar, para que o
público se veja a si mesmo. Sentir para dar a sentir o que se sente, comunicar
para absorver, partilhar para encher-se, esgotar-se numa doação que busca a
plenitude. E gostar disso.
Teatro.
A construção de uma realidade teatral, verdade
possível nas mentiras de que se é capaz. Não há exibição, apenas a confissão
humilde de quem vê a vida de outra forma. E sofre com isso. E gosta. Não de
sofrer, mas disso.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Feliz Natal!
Natal.
Festa do Encontro.
Encontro de Deus com o homem.
Encontro do homem com o divino em si.
Encontro do homem com o Outro, divinização da sua precária existência.
Origem e destino. Sentido. Transcendência.
Feliz Natal!
Festa do Encontro.
Encontro de Deus com o homem.
Encontro do homem com o divino em si.
Encontro do homem com o Outro, divinização da sua precária existência.
Origem e destino. Sentido. Transcendência.
Feliz Natal!
sábado, 20 de dezembro de 2014
Texto trigésimo sexto
Escrevi
O Poder e o Desejo em busca da
Palavra. Não por tê-la encontrado e pretender traduzi-la, verter o seu bálsamo
purificador em qualquer suposta ânfora das urgências da atualidade. Antes como uma
procura primigénia: perseguir uma origem como quem vasculha nos astros a
leitura de um rumo; alinhar as frases no gesto de deitar os pés ao caminho. À
procura de um ponto de partida. A Palavra.
Fui
ao encontro de um profeta ultrapassado pela verdade que o habita; esbarrei
contra um pretenso soberano reduzido pelo poder do desejo; vi desabrochar a
malícia numa virgem inocente, rendida ao desejo de poder.
Escrevi
à procura; não sei o que encontrei. Estruturei uma tragédia: prólogo, párodo,
alternância de episódios e estásimos, êxodo a concluir. Deixando em aberto. A
vida humana caminha no escuro, por isso é tragédia. Irreversível nos atos, que
não podem reparar-se sem contrição. Por isso é tragédia. No caminho escuro dos
atos irreversíveis, necessitamos da profecia, de alguém que nos traga a
Palavra. E que deixe em aberto.
Escrevi
O Poder e o Desejo em busca da
Palavra. Não sei o que encontrei. Entreguei o texto sem consumar a procura.
Passei o testemunho aos atores, para que eles vão mais longe. E o transmitam ao
público.
O Poder e o Desejo.
À procura de um ponto de partida. A busca continua.
Ensaio:
(Fotografias de Jorge Figueiredo no ensaio de O Poder e o Desejo)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Texto trigésimo quinto
A vida no teatro.
Desejar. Ter medo. Avançar sem medo. Avançar contra
o medo e apesar dele. Vencer o atrito do palco, suportar o flagelo das luzes,
emergir da avalanche dos olhares. Enfrentar a própria pequenez, projetado numa
grandeza maior. Transcendente.
A vida no teatro.
Estar preparado. Preparar-se. Treinar o desejo para
mais desejar o transcendente. O bom ator não improvisa porque está preparado. E
improvisa porque está preparado. Tudo é espontâneo, nada é casual. Os ensaios
preparam para tudo, se soubermos preparar-nos para eles.
A vida no teatro: preparar-se para ensaiar, ensaiar
para estar preparado. Desejar o transcendente e, por isso, transcender-se
imparavelmente em desejo. O melhor ator não é o mais talentoso; é, antes, o
mais bem preparado. E o mais insatisfeito.
Preparativos:
Aquecimento:
Ensaio:
(Fotografias de Jorge Figueiredo, no ensaio de O Poder e o Desejo)
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