sábado, 1 de março de 2014

Conversando... após a Tertúlia


Agradeço à Editora Livros de Ontem e ao Café 100 Artes a excelente organização deste evento. E também a todos os que tiveram oportunidade de participar. A 2ª edição da Tertúlia Lisboa foi um momento de partilha muito enriquecedor para todos. 
Com efeito, quem escreve precisa de conhecer o modo ser e de sentir de quem o lê. Do mesmo modo, quem lê gosta de saber o que faz vibrar a pessoa que produz a escrita que é lida.
Nesta tertúlia todos revelamos um pouco de nós mesmos, a propósito dos "textos que nos fizeram". Penso que valeu muito a pena!
Partilho aqui o texto com o qual abri a conversa: um poema de Miguel Torga que recordo como um dos primeiros escritos que aprendi, li e decorei, no longínquo primeiro ano da então chamada instrução primária. Foi a partir de textos como este que, desde a infância, fui descobrindo o prazer da leitura, o Belo que na escrita se exprime e a transcendência que lhe é inerente.

BRINQUEDO

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Conversando... sobre uma tertúlia

Venho convidar todos os meus leitores e amigos para uma tertúlia literária, organizada pela Editora Livros de Ontem, na qual serei o convidado/animador.
Será no próximo dia 1 de março (sábado), no Café 100 Artes, conforme a informação que aqui insiro.


Gostaria que este fosse um momento de reunião de pessoas que se sentem aproximadas pelo prazer da leitura e pela relação com o texto escrito e dito. Nesse sentido, além de ler alguns textos meus, irei, de acordo com o tema escolhido, apresentar alguns textos de outros autores que, por aquilo que dizem ou pelo momento particular em que tomei contacto com eles, se tornaram  significativos para mim, enquanto pessoa e enquanto escritor.
Gostaria também que fosse um momento de partilha e interação. Por isso, proponho que, na mesma lógica, cada um leve consigo um ou mais textos que queira ler ou sobre os quais queira falar. Afinal de contas, é isso uma tertúlia: uma troca entre pessoas em torno de algo que lhes é significativo.
Claro que poderão ir apenas para ouvir. E para comentar o que ouvem... ou simplesmente sentir o eco, em silêncio. Todos serão bem vindos!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dizer a Imagem 1: Restos


Que farei do teu gosto deixado em restos nas travessas? Que farei da jarra vazia da tua beleza, da prisão das laranjas que me lembra o sumo matinal, a vitamina de acordar a teu lado?
Que farei da luz em que já não me entras casa adentro? Que farei do clarão que conservo refletido nas coisas, a devolução do olhar com que pinto a esperança de ti na paisagem que imagino para lá da porta fechada dos teus passos? Que farei deste retalho quadriculado, ânsia cada vez mais vã de que voltes um dia?
Que farei desta espera de copo vazio? Que farei deste definhamento enganado na boa forma da revista, destas paredes que escorrem o brilho branco da saudade de nos roçarmos nelas?
Que farei do abandono da chave do carro, renúncia de ir buscar-te por não saber aonde?
Que farei, enfim, desta imagem desgastada do meu cansaço de olhá-la, manchada da minha desistência de acreditar que um dia voltarás?
Que farei, quando nada resta? Que farei, quando tudo são restos?

(Fotografia de Jorge Figueiredo)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sétima alegoria

Somos pó nas mãos do vento
Somos nuvem ao luar
Existimos um momento
E depois fica o lamento
Dos caminhos por andar.

Mas não valem amarguras
Nem vontades de chorar
Porque as vidas, por mais duras,
Ganham força nas loucuras
Dos caminhos por andar.

Quem seríamos nós
Se chamássemos miragem
Às estrelas por contar?
Qual seria a nossa voz
Ao negarmos a viagem
Dos caminhos por andar?

E seguimos nesta estrada
Temerosa só de olhar
Que ninguém nos diga nada
Porque a vida é embalada
Nos caminhos por andar.

Que ninguém nos diga nada
Porque a vida é animada
Dos caminhos por andar!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

Texto vigésimo terceiro

Amo-te. Na pessoa que tu és. Na acutilância do olhar, na transparência do sorriso, na pontaria certeira das palavras que nunca deixas por dizer. Na paciência sincera, na caridade intrínseca, no equilíbrio entre firmeza e ternura que te faz implacável perante a injustiça e a miséria. Amo-te no estilo-chão dessa tua simplicidade genuína onde todos os dias revisito a essência de humanidade que busco em mim, porque já encontrei em ti.
Amo-te. Na pessoa em que me apareces. Na frescura amadurecida do teu corpo, esse mar aveludado, meu aconchego, em que a robustez é líquida fragilidade; esse bosque frondoso, meu retiro, onde a beleza selvagem esconde insondáveis mistérios. Amo-te no teu corpo, passageiro habitado por um espírito que ele materializa na proporção direta do ânimo que dele recebe.
Amo-te. Na pessoa em que te dás. Na diligência do teu dia a dia, no pragmatismo das tuas ações, no modo assertivo com que não hesitas. Amo-te nessa frontalidade com que assumes e confrontas, nessa opção fundamental pela verdade que é o teu modo de estar na vida.
Sou-te fiel. Sempre. Não por teimosia, muito menos porque sim. Nem sequer por escrúpulo diante das palavras sacramentais que um dia trocámos. Sou-te fiel porque a fidelidade é a garantia que tenho de poder amar-te sempre mais, mesmo quando menos, mesmo na aridez, no abalo ou no desgaste. Sou-te fiel na esperança de crescer neste amor que me dá sentido por sentir-te, em que me acredito por confiar em ti, em que me quero por querer-te.
Sou-te fiel. No amor e no desamor. Na vida. Todos os dias. E amo-te. Mesmo quando te amo menos por não conseguir amar-te mais. Sempre.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Conversando... sobre Teatro (4)

"O Homem da Flor na Boca": um percurso concluído.
A riqueza da leitura e pesquisa. O prazer escrupuloso do trabalho de dramaturgia. O caudal de inspiração do processo de ensaios, a construção das personagens, a criação artística no rigor técnico. A metamorfose da implantação no espaço cénico, o fascínio da encenação.
E, por fim, a urgente libertação na apresentação ao público. A plenitude e a partilha. As razões do Teatro. O sentido da Arte. O sabor da Vida.
Obrigado!